O ano letivo japonês começa em abril. Começam as aulas nas universidades, começa a vida daqueles que se formaram e arrumaram os tão almejados empregos nas empresas japonesas...E esse novos alunos que chegam na Universidade? O que querem fazer? o que acham da nova etapa da vida que está se iniciando? É muito difícil entrar numa universidade estatal no Japão.Os alunos passam por processos de seleção parecidos com o do Brasil, os temidos vestibulares. Também é uma forma de “status” pertencer a uma grande universidade...até aqui, nenhuma diferença com o Brasil... Mas o que há de diferente então? Claro, os estudantes. Os japoneses são disciplinados, educados. Um sonho de consumo para qualquer professor. Mas não são polêmicos, e as vezes, um pouco ingênuos. Hoje pariticpei de um evento na Universidade, onde os professores se apresentam aos novos alunos. Esses são na sua maioria, jovens entre 18 e 19 anos. Tenra idade. Cheia de sonhos...mas que sonhos? Na apresentação de hoje, os alunos se apresentam e podem falar rapidamente sobre si mesmos... Vou aqui reproduzir alguns discursos introdutórios: - 1)sou de Saporo e não gosto de chuva; 2) sou de Kobe e levo duas horas pra chegar aqui em Osaka; 3) gosto de futebol e meu amigo quer arrumar uma namorada; 4) sou japonesa mas todos pensam que eu sou filipina;5)sou de Nagano e meus amigos me acham estranha;6) sou de Kyoto e meu sonho é me casar com um estrangeiro... Essa frase dita assim, de forma descompromissada pela garota foi motivo de surpresa de muitos presentes, inclusive dos professores. Os jovens japoneses tem atitudes assim, que podem ser consideradas ingênuas. O sonho cor-de-rosa , de se casar com um príncipe encantado que chegará num cavalo branco permeia a cabeça de muitas jovens japonesas...e elas não tem nenhum pudor em declarar esse sonho fabricado. Eu, mais otimista, encarei o discurso de uma outra forma: quem sabe a garota não estava fazendo uma crítica aos japoneses?Mas, conversando com minha colega da Universidade, ela falou que não...sim, muitas garotas pensarm dessa forma...É, ouvi muitas alunas em sala de aula, quando falávamos da juventude de hoje, sonhos, medos e aspirações, e muitas traduziam o seu sonho de uma forma bem cor-de-rosa: ‘quero me casar, ter filhos e ser feliz”, assim, fácil, fácil... Não que eu seja contra as pessoas buscarem a felicidade nisso, mas só nisso? Fico triste e preocupada com os jovens daqui, pois tenho a impressão de que, jovens que são, não sonham...O sonho de continuismo aqui no Japão faz parte da cultura que acredita na força da tradição.Uma sociedade perversa nesse aspecto, pois, cada vez que você tenta sair do esquema pré-estabelecido, a sociedade te elimina ou te força a se eliminar (relembremos que o índice de suicídio no Japão é muito alto).Realmente, muito diferente...
Texto muito poético. É interessantíssimo o olhar de uma pessoa assim, que tem o conhecimento do 'interior'da sociedade...Estou 'viajando'nos textos do Japao também. Um beijo!