Viajar na viagem

Relatos sobre experiências vividas por uma expat.

Viajar na viagem

Relatos sobre experiências vividas por uma expat.
<  Maio 2008  >
S T Q Q S S D
      1 2 3 4
5 6 7 8 9 10 11
12 13 14 15 16 17 18
19 20 21 22 23 24 25
26 27 28 29 30 31  
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

30.03.06

Cadê o vulcão que estava aqui? A nuvem escondeu!

Viajar de trem foi um hábito corrente aqui na Itália. Nos meios de transporte nos deparamos com as pessoas mais diversas. Gosto de ficar olhando para as pessoas ao meu redor e ficar imaginando o que cada um está pensando, se esta indo ao trabalho, se esta indo se divertir, se tem alguém esperando…os trens aqui na Itália faz com que você fique de frente para a outra pessoa, ficando quase que obrigatório o encontro de olhares, e o inevitável desvio súbito para a paisagem na janela ou para o chão ou teto do trem...

Partindo de Roma para me dirigir a Nápoli a bordo do Eurostar (não tem nada a ver com o trem bala japonês, apesar de ser um dos mais rápidos), uma senhora entra numa estação já muito próxima de Napolis e começa a percorrer as fileiras de passageiros pedindo dinheiro, com aquela máscara que a condição impõe: cara de piedade, implorando por comida ou dinheiro, migalhas bem vindas do bolso de qualquer bom cristão…esse discurso ja pra lá de desgastado se tornou corrente nos países subdesenvolvidos e me espantou ver esses pedintes de trens aqui na Italia. Enfim, a senhora pedia com aquele olhar calejado pela miséria. Atrás dela ia uma criança de uns 6 anos, reforçando o discurso da mulher que deveria ser sua mãe, com um olhar tão fabricado que me deu vontade de rir (porque sabemos reconhecer um olhar daquele que realmente está sendo sincero, e daquele que está treinado a fazer isso). Obrigar uma criança a fazer isso deveria ser passível de prisão!  Enfim,  a mulher com sua voz chorosa foi interrompida por um senhor italiano de uns 70 anos, que aparentava ser muito simples, com o rosto calejado pelo tempo,  que clamou: “quer comida? Vai trabalhar! Eu trabalhei a minha vida inteira e nunca faltou comida na minha mesa.” Depois de ouvir o senhor, a mulher agradeceu, e mais que depressa se dirigiu para o próximo vagão, pois percebeu que naquele ninguém iria colaborar com sua causa.

Eu e meu amigo chegamos na estação Piazza Garibaldi em Napoli e depois de fazer as devidas baldeações de trem e metrô, desembarcamos na Piazza Dante, região próxima ao centro comercial e histórico da cidade, onde se localizava o albergue que iríamos nos hospedar. Gosto da sensação de sair do metrô e ver a luz do sol se aproximar, mas o que vi foi uma Napoli cinzenta, com gotas de chuva. Que pena! Mas outro movimento na cidade me chamou muita atenção. A cidade era um burburinho só, cheia de vida, de caos, com um magnetismo inigualável. Napoli pulsa! O barulho de buzina emitido pelas motocicletas e carros que andam frenéticos pelas ruas da cidade faz você entender porque o sul da Itália eh tão diferente do norte. As pessoas são diferentes, se comportam diferente e falam outra língua! Tudo isso num mesmo país! As pessoas do sul são mais cordiais do que as do norte, adoram guiar e orientar os turistas perdidos. Muitos napolitanos trabalham no “serviço informal”, principalmente na região perto do porto…feia e suja, como qualquer centro. La estão eles, os vendedores informais que se postam na sua frente e de repente abrem uma mala e te oferecem um computador a preço de banana…Eles sabem identificar o estrangeiro nao sei como…talvez esse olhar de bobo e estupefação que temos, sei lá, mas lá vem eles, frenéticos, falando em inglês, francês ou espanhol, dispostos a chamar sua atenção. Nos esquivamos rapidamente, e fomos rapidamente tentar ver, apesar do tempo ruim, o famoso e soberano Vesuvio. Uma pena a visão nao ser tão clara quanto gostaria, mas deu pra sentir a grandiosidade do vulcão. A baia de Napoli é linda, mesmo sem o céu azul. Então, o que fazer em Napoli em dia de chuva? Achei interessante uma indicação do Lonely Planet de uma rua que era cheia de artesãos onde se podia ver seus trabalhos cuidadosos expostos, e se desse sorte, poderia ate ver algum trabalhando. Seguindo as indicações do guia, resolvi visitar um Hospital de Bonecas, que parecia ser interessante averiguar o trabalho manual dos artesãos napolitanos e fugir dessa coisa turística, apesar de estar no guia. Mas, infelizmente estava fechado. Poxa, essa hora da siesta na Itália me deixava muitas vezes furiosa! Acabei nao conhecendo o hospital, e fui então comer a famosa pizza napolitana, invenção local por meros 3 euros, com tamanho de dar vergonha por comer sozinha. Wagner, meu amigo que me acompanhava também em Roma tinha um interesse devido a sua pesquisa em filmes italianos da época do fascismo. Acabamos por acaso em uma loja de um senhor muito simpatico que recuperava filmes em video, e passava-os para DVD. A loja dele era só fita de vídeo, com prateleiras imensas cheias de filmes...Arrisquei perguntar se existia algum filme brasileiro por ali, e o senhor, mais que depressa respondeu: sim, tem sim...um chamado Guantanamera. Eu achei estranho, por saber que esse filme era tudo, menos brasileiro. Ele achou o filme e me mostrou...”é esse aqui”, disse, me mostrando...Eu falei que aquele filme não era brasileiro, e sim cubano...(que aliás eu já tinha visto e por sinal é ótimo!) Ah....infelizmente o nosso ótimo cinema ainda não é produto de exportação...

  • criado por  fernandajp criado por fernandajp
  • Postado em 02:40:08
2 comentários
Comente este post:




Seu e-mail não será mostrado neste site.




tags XHTML permitidas: <p, ul, ol, li, dl, dt, dd, address, blockquote, ins, del, a, span, bdo, br, em, strong, dfn, code, samp, kdb, var, cite, abbr, acronym, q, sub, sup, tt, i, b, big, small>
URLs, e-mail's, AIM e ICQs serão convertidos automaticamente.