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	<title>Viajar na viagem</title>
	<subtitle type="html">Relatos sobre experi&#234;ncias vividas por uma expat.</subtitle>
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	<tagline>Relatos sobre experi&#234;ncias vividas por uma expat.</tagline>  
	   
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		    <updated>24.04.06 18:41:34</updated>
		    <published>24.04.06 18:33:51</published> 
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		    <title type="text/plain" mode="xml">ATEN&#199;&#195;O AO NOVO ENDERE&#199;O</title>
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		    <updated>16.04.06 19:43:39</updated>
		    <published>16.04.06 11:44:38</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">Amigos! Abri um outro blog, com todas as informa&#231;&#245;es j&#225; postadas aqui l&#225; tamb&#233;m! Achei melhor mudar, porque este estava dando muito problema de inser&#231;&#227;o de textos e imagens....espero a visitinha de voc&#234;s por l&#225;!!! &#201; um blog italiano, e tamb&#233;m &#233; bom para praticar a l&#237;ngua de Dante!!! E, para quem n&#227;o entende portugu&#234;s, tem uma op&#231;&#227;o que traduz a p&#225;gina para o ingl&#234;s, numa vers&#227;o muito engra&#231;ada, de tradu&#231;&#227;o ao p&#233; da letra... vejo voc&#234;s por l&#225;...abra&#231;os!!!
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		    <title type="text/plain" mode="xml">Os "sem trabalho"</title>
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		    <updated>13.04.06 23:45:26</updated>
		    <published>13.04.06 23:42:29</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">Hoje recebi, na minha&#160;sala, a visita de um querido aluno. Tenho o acompanhado desde seu ingresso, h&#225; tr&#234;s anos, no curso de Rela&#231;&#245;es Internacionais. Est&#225; agora no 4o ano, ano decisivo para os estudantes que est&#227;o se formando. &#201; nesse momento que eles come&#231;am a fazer entrevistas, procurar emprego, enfim, buscam uma forma de se enquadrarem na sociedade do trabalho no Jap&#227;o. Hiroyuki, ou Lee para os amigos,&#160; um rapaz de 24 anos, &#233; um japon&#234;s diferente. Sempre se mostrou um rapaz pol&#234;mico, jovem pensante, com jeito de malandro,&#160; como ele mesmo se define. Joga capoeira, namora uma filipina, e adora subverter, ao seu modo, algumas regras sociais. Com ele aprendi muita coisa sobre o Jap&#227;o, que mesmo com a pouca idade que tem, possui um olhar cr&#237;tico sobre seu pa&#237;s. Falamos abertamente sobre m&#225;fia, imigrantes, tr&#225;fico de drogas, e alguns grupos sociais interessantes aqui no Jap&#227;o...Ele me conta casos interessantes sobre assuntos que sempre se mostram um pouco obscuros para o olhar de quem est&#225; de fora. Adoramos conversar sobre pol&#234;micas e ele, atento &#224; minha curiosidade, n&#227;o se poupa de me contar alguns s&#243;rdidos detalhes. Lee gosta de ouvir m&#250;sica brasileira, decora as letras e assim aperfei&#231;oa seu portugu&#234;s, cada vez melhor, mesmo sem nunca ter ido ao Brasil.&#160; Pleiteou um emprego para trabalhar no consulado japon&#234;s em S&#227;o Paulo, e talvez, por seu perfil rebelde , n&#227;o foi selecionado para tal trabalho burocr&#225;tico. Por outro lado, ele tamb&#233;m, inquisidor, pergunta muito sobre o Brasil e sobre assuntos que permeiam a cabe&#231;a de jovens da sua idade. Hoje, depois das prolongadas f&#233;rias nos reencontramos, nos abra&#231;amos e demos beijinhos no rosto, o que pra muitos japoneses &#233; um comportamento estranho, extremamente latino. &#201; engra&#231;ada a rea&#231;&#227;o de outros japoneses observando um japon&#234;s se comportar como um &#8220;n&#227;o&#8221; japon&#234;s. Aperto de m&#227;o aqui &#233; demais, imaginem beijinhos no rosto...enfim! Conversavamos sobre o&#160;seu futuro, pensa em ir pras Filipinas fazer interc&#226;mbio por um ano, aproveitar pra ficar perto de sua namorada e ainda fazer uma graninha, ensinando japon&#234;s por l&#225;. Garoto decidido. &#192;s quintas-feiras na hora do almo&#231;o, como de costume, ele bate &#224; minha porta para pedir uma x&#237;cara de caf&#233; &#8220;pil&#227;o&#8221; brasileiro, fumar um cigarro na minha sala, j&#225; que &#233; proibido fumar livremente na Universidade. Me pergunta sobre o grupo de reggae Cidade Negra, que ouviu na r&#225;dio japonesa e gostou. Por coincid&#234;ncia, tinha um CD na minha sala e ficamos entre uma faixa e outra conversando sobre essa coisa louca chamada futuro...Falar do futuro dele o fez lembrar de um problema que o Jap&#227;o vem enfrentado ultimamente em rela&#231;&#227;o aos jovens. Ent&#227;o, come&#231;ou a falar de um programa de televis&#227;o que ele tinha visto, que tratava de um assunto que eu at&#233; ent&#227;o desconhecia. Tento, ao m&#225;ximo, me inteirar das coisas do Jap&#227;o, mas acabam escapando muitas coisas, muito em virtude pela limita&#231;&#227;o da l&#237;ngua, que n&#227;o domino. Come&#231;ou a relatar que o programa tratava sobre neet, que significa, not in employement, education or training . Um fen&#244;meno que se d&#225; entre os jovens japoneses que n&#227;o querem nem trabalhar nem estudar. E a sociedade japonesa tem se mostrado preocupada com o aumento dos jovens nessa linha. Esses jovens, na sua maioria, vivem &#224;s custas dos pais, ficam o dia inteiro dentro de casa &#224;s voltas com mang&#225;s e games de computador. N&#227;o se interessam em se encaixar no quadro social de trabalho no Jap&#227;o. Diferente de outro fen&#244;meno bastante popular aqui, o dos &#8220;freeters&#8221; , que n&#227;o buscam um emprego nas grandes companhias, apenas vivem de &#8220;bicos&#8221; , e mudam de servi&#231;os tempor&#225;rios quase que diariamente. Esses jovens &#8211; os neets - s&#227;o geralmente, escondidos por sua fam&#237;lia, pois ningu&#233;m quer admitir que possui um membro considerado desajustado. Eles, por op&#231;&#227;o, fazem parte do que aqui pode ser chamado de &#8220;limbo social juvenil&#8221; (seriam neets aqueles jovens que cometeram suic&#237;dio coletivo agendado pela internet?). Lee me contou&#160;&#160;que no programa foram entrevistados v&#225;rios neets, entre eles uma garota, que perguntada o que sabia ou gostava de fazer, respondeu que sabia assoviar muito bem, sendo capaz de entoar uma melodia perfeitamente apenas com o sopro! Exposi&#231;&#227;o do rid&#237;culo... Um outro rapaz entrevistado falou que sabia interpretar muito bem o que lia nos mang&#225;s, encarnando os personagens estapaf&#250;rdios lidos nas hist&#243;rias em quadrinhos. Motivo de risos. Mas gente, olha s&#243;, os neets s&#227;o artistas incompreendidos! Um outro entrevistado, de 24 anos, ao ser interpelado sobre porque n&#227;o trabalhava, responde que quem trabalha &#233; um perdedor, e quem n&#227;o trabalha &#233; um vencedor. Ent&#227;o, como ele n&#227;o gostava de ser um perdedor, n&#227;o trabalhava. Nossa, que vis&#227;o futurista da sociedade! Vanguarda revolucion&#225;ria, n&#227;o &#233;? &#201;, alguma coisa est&#225; mudando no Jap&#227;o. A id&#233;ia que se tem da sociedade &#8220;perfeita&#8221; japonesa cada vez mais est&#225; se anulando...Pois &#233;, o pa&#237;s tem l&#225; suas lacunas escondidas, e que devagar est&#227;o vindo &#224; tona...De perfeito e da imagem perfeita que se cria, n&#227;o tem nada. Os japoneses, criadores das m&#225;quinas perfeitas, da sociedade funcional, nada mais s&#227;o do que meros mortais, como qualquer um de n&#243;s...
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		    <title type="text/plain" mode="xml">Um sonho cor de rosa</title>
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		    <updated>11.04.06 19:33:16</updated>
		    <published>11.04.06 19:33:16</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">O ano letivo japon&#234;s come&#231;a em abril. Come&#231;am as aulas nas universidades, come&#231;a a vida daqueles que se formaram e arrumaram os t&#227;o almejados empregos nas empresas japonesas...E esse novos alunos que chegam na Universidade? O que querem fazer? o que acham da nova etapa da vida que est&#225; se iniciando? &#201; muito dif&#237;cil entrar numa universidade estatal no Jap&#227;o.&#160; Os alunos passam por processos de sele&#231;&#227;o parecidos com o do Brasil, os temidos vestibulares. Tamb&#233;m &#233; uma forma de &#8220;status&#8221; pertencer a uma grande universidade...at&#233; aqui, nenhuma diferen&#231;a com o Brasil... Mas o que h&#225; de diferente ent&#227;o? Claro, os estudantes. Os japoneses s&#227;o disciplinados, educados. Um sonho de consumo para qualquer professor. Mas n&#227;o s&#227;o pol&#234;micos, e as vezes, um pouco ing&#234;nuos. Hoje pariticpei de um evento na Universidade, onde os professores se apresentam aos novos alunos. Esses s&#227;o na sua maioria, jovens entre 18 e 19 anos. Tenra idade. Cheia de sonhos...mas que sonhos? Na apresenta&#231;&#227;o de hoje, os alunos se apresentam e podem falar rapidamente sobre si mesmos... Vou aqui reproduzir alguns discursos introdut&#243;rios: - 1)sou de Saporo e n&#227;o gosto de chuva; 2) sou de Kobe e levo duas horas pra chegar aqui em Osaka; 3) gosto de futebol e meu amigo quer arrumar uma namorada; 4) sou japonesa mas todos pensam que eu sou filipina;&#160; 5)&#160; sou de Nagano e meus amigos me acham estranha;&#160; 6) sou de Kyoto e meu sonho &#233; me casar com um estrangeiro... Essa frase dita assim, de forma descompromissada pela garota foi motivo de surpresa de muitos presentes, inclusive dos professores. Os jovens japoneses tem atitudes assim, que podem ser consideradas ing&#234;nuas. O sonho cor-de-rosa , de se casar com um pr&#237;ncipe encantado que chegar&#225; num cavalo branco permeia a cabe&#231;a de muitas jovens japonesas...e elas n&#227;o tem nenhum pudor em declarar esse sonho fabricado. Eu, mais otimista, encarei o discurso de uma outra forma: quem sabe a garota n&#227;o estava fazendo uma cr&#237;tica aos japoneses?&#160; Mas, conversando com minha colega da Universidade, ela falou que n&#227;o...sim, muitas garotas pensarm dessa forma...&#201;, ouvi muitas alunas em sala de aula, quando fal&#225;vamos da juventude de hoje, sonhos, medos e aspira&#231;&#245;es, e muitas traduziam o seu sonho de uma forma bem cor-de-rosa: &#8216;quero me casar, ter filhos e ser feliz&#8221;, assim, f&#225;cil, f&#225;cil... N&#227;o que eu seja contra as pessoas buscarem a felicidade nisso, mas s&#243; nisso? Fico triste e preocupada com os jovens daqui, pois tenho a impress&#227;o de que, jovens que s&#227;o, n&#227;o sonham...O sonho de continuismo aqui no Jap&#227;o faz parte da cultura que acredita na for&#231;a da tradi&#231;&#227;o.&#160; Uma sociedade perversa nesse aspecto, pois, cada vez que voc&#234; tenta sair do esquema pr&#233;-estabelecido, a sociedade te elimina ou te for&#231;a a se eliminar (relembremos que o &#237;ndice de suic&#237;dio no Jap&#227;o &#233; muito alto).&#160; Realmente, muito diferente...</content>
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