Viajar na viagem

Relatos sobre experiências vividas por uma expat.

Viajar na viagem

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Arquivo de: Abril 2006, 03

04.04.06

Despedindo-me da Toscana

Na estação de Pisa, à caminho de Firenze, por coincidência encontrei na estação de trem as mesmas duas garotas japonesas do albergue, que também haviam visitado a cidade, mas ao contrário de mim, pagaram 15 euros para subir na Torre. No trem, a caminho de Firenze, a japonesa olhava a janela distraída e de repente ela solta um grito de espanto. Perguntei o que ela tinha visto: um homem no meio do campo, completamente pelado, acenando para o trem! Achei super engraçado, e comentei que isso era sinal de boa sorte...Coitada, ela ficou vermelha feito uma pimenta, atordoada pela visão do aventureiro no campo... Cheguei em Firenze por volta das 5hs da tarde. Era meu último dia na Toscana. À noite voltaria para a Emilia Romana. Aproveitei para visitar o Palácio Pitti (residência dos Médici) e andar por Firenze ao entardecer...Voltar para Reggio Emilia, meu quartel general, já significava uma outra coisa pra mim. O fim da minha viagem. E deu uma saudade antecipada, saudade de viajar, saudade de encontrar pessoas interessantes, saudade dos lugares mágicos e das coisas para descobrir. Estava há quatro dias da minha volta para o Japão e a ansiedade da volta já começava a bater. Ansiedade por tanta coisa que não vi, tanta coisa que gostaria de ter aproveitado de uma maneira diferente....fiquei estranha, feito bicho acuado, querendo parar o tempo e adiar minha volta por uns meses...mas enfim...fazer o quê?

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  • Postado em 01:22:47

Lucca e Pisa

Lucca, cidadezinha simpática, medieval, onde aluguei uma bicicleta para andar pela cidade. Que bom!!! Pisa: a maior decepção da viagem (já tinha sido alertada por várias pessoas). A única coisa que a cidade tem é a Torre, que fiz questão de tirar uma foto em frente! Afinal, tinha gasto 2 euros de ônibus para ir pra lá... nada mais a comentar, a não ser a imensidão de barraquinhas de ambulantes vendendo os mais kitchs souvenirs que eu vi na vida!!!

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  • Postado em 01:08:50

Siena e San Gimignano

Dia seguinte: Siena e San Giminiano.

Uma amiga no Japão me falou: Não deixe de ir à Siena. É pertinho de Florença e é linda...Nicola me falou: Não deixe de ir à Siena. E à San Gimigniano. São lindas. Eu, obedientemente, e dando valor à sensibilidade dos dois viajantes, peguei o ônibus e fui. Nem me arrisco a falar da beleza dessas duas cidades medievais. Seriam comentários, com certeza, menores, diante de tamanha vibração que os lugares emanam. Agora é a minha vez: VÁ À SIENA E À SAN GIMIGNIANO... (e se possível, num dia de sol).

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  • Postado em 00:52:22

03.04.06

"que carina questa brasiliana..."

Voltei ao albergue à noitinha, depois de comer pizza (de novo), e tomar um sorvete com preço para turista. Parei novamente na recepção, que era o local onde carregava minha bateria da máquina e era também o lugar mais animado do albergue. Lá conheci Gisela, uma dentista italiana da região de Napoli, que havia ido a Firenze para um seminário da sua área, e acabou indo parar no albergue porque não queria gastar muito dinheiro com hospedagem. Firenze é uma cidade cara. Cidades turísticas tem disso, mesmo em baixa temporada. Gisela não falava nada de inglês, e Leonardo (o  bom de prosa gerente do albergue) acabou sendo o intermediador na nossa conversa. Me indicou milhares de lugares no sul da Itália, que segundo ela, é a região mais bonita do país. Claro que o fiorentino Leonardo se ofendeu, e me perguntou qual cidade eu tinha gostado mais: Florença ou Napoli... Os dois ficaram me olhando com aquela cara de expectativa, esperando minha resposta. Confesso que fiquei sem ação, primeiro porque temia em ofender o orgulho dos dois em qualificar qual lugar era melhor ou mais bonito, e também porque eu mesma não sabia a resposta. Tanto a Toscana como a Campagna são regiões tão distintas com suas belezas e particularidades que nem ousava em fazer qualquer juízo de valor...Na verdade, respondi para os dois: “preciso voltar a viajar na Itália novamente, para ter uma opinião mais bem formada, apesar de não saber se isso será possível”. Leonardo falou que isso era muito simples, pois bastava eu me casar com um italiano. Precisava ver a cara de indignação de Gisela diante da sugestão de Leonardo. Mais que depressa, Gisela fez um comentário ríspido, dizendo que não éramos pra nós, brasileiras, roubarem os italianos delas! Achei graça da reação de Gisela, que até tinha feito um elogio a minha pessoa, que compreendi “que carina questa brasiliana”. Mas depois, ela mostrou, sem pestanejar, que as mulheres “carinas” brasilianas, as são até um certo ponto. Se ultrapassar esse limite, a tal da cordialidade vai pro espaço. Na verdade, essa reação de Gisela com certeza não foi a única, nem será a última, pois a imagem da mulher brasileira que vai para Europa “fisgar” um marido é muito corrente, infelizmente...Ao voltar para o quarto, no caminho, fui chamada para participar de uma festinha do albergue...isso realmente eu não tenho mais pique, apesar da insitência de um new zelandês pra lá de bêbado que mais uma vez disse que adorava as brasileiras...Fico com uma sensação esquisita quando ouço isso, pois sempre me soa como se nós, brasileiras, fossemos presas fáceis para os estrangeiros...

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  • Postado em 23:26:23

Viva os Museus (e abaixo as filas)

No dia seguinte, segundo a previsão do tempo (site útil: http://www.meteo.it/), choveria. Então acordei disposta a ir à Galeria Uffizi. Cheguei na porta do museu às 9 horas da manhã e entrei no museu depois de quase quatro horas de fila!!!A espera foi amenizada pelo papo com outros jovens viajantes que tinha encontrado a caminho do museu: um falante brasileiro, estudante da poli-usp, que vivia a trabalho na Alemanha, um canadense apaixonado por literatura, e uma mexicana simpática, que estava querendo fazer pós graduação em História da Arte em Firenze. Essa fila foi uma experiência que já tinha esquecido...lembro de ter pego filas assim para entrar na Bienal, no Masp, mas nada que superasse umas duas horas...Quatro horas foi demais! Depois de tanto tempo na fila, o ânimo para percorrer os corredores do museu estavam a beira de se esgotar. Mas valeu a pena! Botticelli é demais. Ver o “Nascimento da Vênus” assim, imensa, enorme, foi de tirar o fôlego...Inspirada em pegar filas, e depois de almoçar no simpático restaurante Mario’s, estilo cantina italiana, com uma italianada comerciante muito simpática ( e cá entre nós, com uns garçons que mais pareciam “deuses” – sim, os italianos são homens belíssimos), resolvi entrar em mais uma “bicha” e ver o homem nu mais famoso da história. Ver de perto Davi, de Michelângelo foi também outra experiência compensadora. O pequeno Museu dell’Academia que guarda a escultura gigantesca é charmosinho, apesar de ser a única coisa que vale a pena. Sim, paguei 7 euros para ver a escultura do nu mais famoso da história! PS: Existe uma réplica da obra em Firenze, exposta ao ar livre. O original foi transferido por estar se deteriorando devido à exposição à luz e chuva...

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  • Postado em 22:55:53